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A reinvenção do Nordeste no cinema brasileiro contemporâneo

    Algumas das primeiras imagens do Nordeste brasileiro estão ligadas a uma abordagem identitária que se relaciona com a concepção de “sujeito do iluminismo” (Hall); pois, baseia-se numa ideia de que o indivíduo se encontra totalmente centrado, unificado. Assim, a identidade aparece construída por meio da tradição e do costume. O indivíduo é representado como extensão do próprio espaço geográfico. São exemplos disso: Deus e o Diabo na Terra do Sol de Glauber Rocha (cinema), Vidas Secas de Graciliano Ramos e O Quinze de Rachel de Queiroz (literatura). Em um universo cada vez mais global, contudo, se tornou anacrônico representar o sujeito por meio de uma identidade rígida, imutável. Além disso, conceber o próprio espaço como local isolado, distante, também aparece como anacronismo. É dentro dessa perspectiva que se tem atualizado o discurso acerca da região nordestina. E o cinema tem participado desse processo. Quanto a isso, um elemento recorrente, desde as últimas décadas do século XX, do ponto de vista teórico, tem sido a noção de descentramento.

    Filmes como Árido Movie(Lírio Ferreira, 2005), O Céu de Suely (Karim Aïnouz, 2007) e Deserto Feliz (Paulo Caldas, 2007), por exemplo, debatem essa questão observando a dissolução das fronteiras e o diálogo entre os mundos: tecnológico e natural; primeiro e terceiro; global e local; universal e regional. Consequência, entre outras coisas, da fragmentação social e do descentramento geográfico. Promovidos pelo desenvolvimento tecnológico e cultural e favorecido pelas perspectivas multiculturalistas.

    Nesse contexto, aborda-se o Nordeste globalizado. Ainda assim, apresentando semelhanças políticas, sociais, econômicas e culturais com temas do imaginário nordestino que aparecem desde Os Sertões(Euclides da Cunha). Em O Som ao Redor e Árido Movie, por exemplo, observamos o coronelismo no contexto do século XXI. O binômio local-global permeia todos esses filmes. Há, nesse sentido, um movimento de reinvenção do imaginário nordestino. Um movimento, contudo, que não se dissocia da tradição.

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